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BTTG –
Sendo esta a minha primeira entrevista ao grupo, e tendo sido sempre levado
por uma certa curiosidade, gostaria de voltar atrás no tempo e saber o porquê
da mudança para uma sonoridade que os afastou do Doom/Death e os aproximou de
um Rock Gótico com leves toques de Metal. Uma tentativa de dar a conhecer a
banda a uma maior audiência (cativados pelo mainstream, tal e qual PARADISE
LOST, KATATONIA, AMORPHIS, SENTENCED), ou devido a acharem que o vosso
amadurecimento a nível instrumental apenas seria visível com tal mudança?
As bandas que referes
têm um publico muito específico, não penso que sejam mainstream, estão talvez
mais acessíveis, embora até isso seja discutível... na minha opinião, os
últimos trabalhos de KATATONIA são os melhores que já fizeram, e isso reforça
a minha ideia de que essas mudanças servem apenas para enriquecer o som de
bandas que de outro modo poderiam já ter desaparecido. Nós apenas seguimos os
nossos instintos, fazemos algo de que gostamos imenso e as diferenças vão
surgindo com naturalidade, as nossas capacidades também aumentaram, daí que
cada vez exista maior facilidade em explorar coisas diferentes. BTTG –
Achei um tanto ou quanto drástica a vossa “evolução”, se assim a poderemos
chamar, da primeira demo, Abstract
Melancholy, para a segunda, Deep
do que o refinamento musical da banda nas demos posteriores. A mudança de
«Drawned in Tears» para «Blue sound traffic» antes do lançamento da terceira
demo, As We it and Watch foi algo
que vos pareceu pertinente devido a que critérios?
BTTG –
Poderias dar-nos a conhecer as temáticas literárias criadas desde a primeira demo
até à actualidade? Pergunto tal coisa devido ao interesse que os títulos das
mesmas transmitem, como diversos conceitos embrionários que se reflectem não
apenas na sonoridade executada mas também individualmente, em cada canção. BST – Esse tem sido um
aspecto que tem evoluído imenso com o tempo. No início, as letras eram muito
mais abstractas, uma tentativa algo ingénua de ser poeta, entretanto temos
vindo a simplificar todo o conteúdo musical e lírico dos blue sound traffic.
Neste momento o Dieter escreve as letras que, tal como no passado, reflectem
sobretudo experiências, pessoais ou não, com que todos nós nos identificamos
de uma maneira ou outra. BTTG – Já
tiveram várias músicas incluídas em diversas compilações, o que apenas vos
serviu como factor promocional. Será que, com o Tempo, ainda considerarão
dar-vos a conhecer de tal forma ou será apenas uma perda de tempo pensar
nisso? BST – Todos os meios
de divulgação são bem vindos, as compilações continuam a ser do nosso
interesse, embora os resultados provenientes desse formato sejam agora um
pouco menos visíveis, sobretudo devido a Internet, que é algo muito mais
mediático. No entanto, continuo a achar que devemos aproveitar todos os meios
ao nosso dispor. BTTG –
Com o passar do tempo, e a “evolução” musical da banda, como têm sido as
opiniões emitidas pela imprensa e fãs? Pergunto-vos tal coisa devido a ter
notado, pelo menos nas duas últimas demos, que as vossas músicas possuem mais
energia em concerto do que em CD o que poderia ser um factor negativo, embora
na demo Oxygen se note imenso a boa
qualidade do Estúdio e do produtor (Rec N’ Roll e Luís Barros), em detrimento
de algumas falhas sonoras na As we Sit
and Watch (Paulo Ferraz Studios e Luís Nunes).
BTTG –
Apresentaram no concerto do passado dia 27 de Maio deste ano uma variedade de
temas inéditos no entanto, foi tal uma forma de dar a conhecer ao público não
apenas o novo vocalista, Dieter, mas também a nova vertente musical da banda?
Se não tivesse surgido problemas técnicos com a pedaleira poderiam dar a
conhecer como é que a nova voz acompanhava os temas mais antigos… No entanto,
o Dieter mostrou um grande à vontade em palco e está de parabéns! Como o
conheceram e há quanto tempo é que começaram a ensaiar com o mesmo? Já tinham
criado os novos temas antes da sua entrada? BST – O set que apresentámos era aquele
que tínhamos preparado para esse concerto, tínhamos mais um ou dois temas
prontos para apresentar, incluindo temas de Oxygen, mas, uns dias antes, decidimos não os tocar porque na
nossa opinião precisam de mais um tempo de maturação. Ao contrário do que
possa parecer, é mais fácil compor algo do nada do que adaptar algo que já
existe a uma nova realidade. Quando o Nuno saiu da
banda, começámos a pensar em pessoas que pudessem vir experimentar.
Entretanto lembramo-nos do Dieter, o Saul falou com ele, felizmente aceitou,
gostamos da forma como participa na composição, todos os temas apresentados
no último concerto contaram já com o seu contributo, as letras são também de
sua autoria. Tem uma atitude muito boa em palco, isso acaba por afectar
positivamente toda a banda, estamos realmente satisfeitos. BTTG –
Soube, por mero acaso, ao ler um jornal local, que participaram na final do
concurso Lousã Rock com mais algumas bandas nacionais… Disserta um pouco
acerca da vossa entrada nesse concurso, da prestação em palco no mesmo e a
reacção à sonoridade… BST – Foi um evento em
que pudemos tocar para um público diferente. Além disso, foi a estreia do
Dieter ao vivo com BLUE SOUND TRAFFIC. Foram dois concertos muito bons, foi
pena ser um concurso porque isso significou uma actuação curta, mas de
qualquer modo as pessoas com quem falámos mostraram-se bastante surpreendidas
e curiosas em relação ao nosso trabalho, isso é muito bom para nós. Foi uma
situação que surgiu um pouco por acaso, decidimos aproveitar, não é todos os
dias que aparecem oportunidades, principalmente tendo em conta que vivemos
numa Cidade que se encontra em coma profundo. BTTG –
Neste ano, completam 10 anos de carreira e, apesar de todos os obstáculos
inerentes a uma banda que se situa numa região tão limitada a nível artístico
como é a ilha da Madeira, conseguiram lançar quatro demos e dar vários
concertos a nível nacional. Bem sei o quão frustrante será o facto de o tão
apetecido contrato discográfico não ter ainda aparecido, mas continuarem
“vivos” apenas demonstra o vosso empenho e gosto pela Arte. No entanto,
alguma coisa mudou desde o lançamento da última demo até agora? Podemos
esperar algum novo trabalho já este ano quer seja em demo-cd ou em CD? BST – Mudou o
vocalista, essa é certamente a mudança mais visível. Estamos todos mais
seguros, e mais descontraídos, tentamos não levar as coisas demasiado a
sério. Penso que despertámos o interesse de muitas pessoas, algumas das quais
poderão trabalhar connosco no futuro, seja a nível de produção ou até de
edição discográfica. Queremos gravar o quanto antes, não te sei dizer quando,
mas temos estado a falar nisso, temos várias opções, é preciso vermos o que
nos interessa mais. Neste momento temos um set muito forte, estamos numa fase
bastante criativa, vai ser complicado seleccionar os melhores temas para
gravar, mas é sempre uma situação divertida. BTTG –
Tendo em conta o que aconteceu nestes 10 anos, ainda me indago se a vossa
sonoridade irá quedar-se pelo que até agora foi dado a conhecer ou, tal como
uma mente eclética em constante amadurecimento, vos ouviremos, com o passar
dos anos, em constante mutação, afastando-vos ainda mais das raízes que vos
fizeram nascer: o Metal… Será que o afecto que sentem por tal sonoridade vos
levará a englobar diversas influências dentro desse mesmo estilo em vez de o
deixarem de lado? Esta é uma pergunta que somente o Tempo poderá responder,
mas digam a vossa opinião actual…
BTTG –
Bem, gostava de agradecer pelo tempo dispendido e desejar-vos tudo de melhor.
Que façam do oxigénio fogo e libertem a intensidade dramática que a alma
possui. As últimas palavras são vossas… BST – Obrigado pela
entrevista, espero que as pessoas possam cada vez mais cultivar o seu gosto
pela música e pela arte em geral – para tal, é preciso deitar abaixo os
preconceitos. Por Solitudinis - Back To The Grave Julho, 2004 Entrevista por E-Mail Fotos – Blue Sound Traffic 2004 |