Versão em Português

Uma sala de ensaios assaz decrépita e na iminência da demolição marcou o cenário do encontro da Back to the Grave com EPPING FOREST, banda portuguesa de Black Metal em franca ascensão.

O ‘matraquear’ de MysticCosmos e de Menthor, aliado à presença discreta de Noctis Lunaris, contribuiu para um ambiente sinceramente descontraído, onde reinou a boa-disposição.

Aqui fica uma sinopse das fatais ocorrências do dia 8 de Novembro de 2003.

Morgana

 

BTTG Antes de mais, queiram proceder às apresentações.

 

EFNós somos o MysticCosmos, a Noctis Lunaris e Menthor.

 

BTTG – Façam-me um breve resumo da história de EPPING FOREST.

 

MysticCosmos – EPPING FOREST começou entre mim e a Noctis Lunaris (minha prima). Tínhamos um outro projecto com pessoas muito menos sérias, o que levou ao fim desse mesmo projecto. Posteriormente, eu e a Noctis resolvemos formar uma nova banda, com uma nova atitude, levá-la em frente e prosseguir, não olhando a obstáculos, mesmo que a banda fosse composta apenas por nós os dois. Aliás, esta situação manteve-se durante 3 anos. Mais tarde deram-se aquelas que viriam a ser as entradas mais significativas para EPPING FOREST: Aenima Seraphitus (Agosto 2001) para o baixo e Menthor (Setembro 2001) para a bateria. O Azrael entrou como vocalista em Setembro de 2002. Foi a partir destas entradas que se começou a trabalhar mais certinho…

 

Menthor – … e saiu a brutalidade que é hoje.

 

MysticCosmos – Sim, nos inícios estávamos bastante limitados no que diz respeito a rapidez, técnica e brutalidade –

 

Menthor – Actualmente somos super rápidos, temos boa técnica, agressividade … tudo. (risos)

 

MysticCosmos – Nós sentíamo-nos limitados por causa da caixa de ritmos, em termos de composição. A formação completou-se com a entrada do Abraxis (cujas funções estiveram suspensas durante uns tempos, devido a problemas pessoais), que veio trazer o que faltava a EF: o preenchimento dos espaços vazios, das aberturas das guitarras – era a segunda guitarra que faltava. E, até hoje, a banda consiste nestes seis elementos.

 

BTTG – Agora que a formação está composta, que funções competem a cada qual e até onde pensam levar a banda?

 

MysticCosmos – O Azrael tomou conta de todas as funções vocais e líricas; estamos a considerar a hipótese de o Abraxis fazer segundas vozes; eu, MysticCosmos, na guitarra, principalmente na parte rítmica, não tanto nos solos; o Abraxis está encarregue dos solos e preenche alguns ritmos; a Noctis Lunaris ocupa-se dos teclados, o Menthor trata da saúde à bateria e o Aenima Seraphitus ocupa-se do baixo. Este tem andado mais desligado da banda devido a um acidente. Esperemos que tudo lhe corra pelo melhor. Quanto à banda, pensamos levá-la para caminhos onde nós gostássemos que ela fosse… para o Inferno! (risos). Queremos dar seriedade à banda sem nunca tirar os pés da terra.

 

BTTG – Após uma longa pausa, EF tem tido uma actividade significativa a nível de concertos. Que boas e más experiências resultaram dos vossos concertos?

 

Menthor – Os técnicos de som são sempre uma desgraça.

 

MysticCosmos – É, os técnicos de som é que nos têm estragado a vida, e falo por mim, porque, até hoje, apenas tive bom som de guitarra em metade dos concertos. ‘Custou-me’ mais ter mau som nos últimos concertos, porque eu era o único guitarrista e ainda tinha que preencher o vazio do baixo, ou seja: trabalhava por três.

 

BTTG – Temos até o caso do Caos Emergente [Paredes, 2003.11.01 – review online], em que toda a gente parava para tentar ouvir o som da guitarra, que pura e simplesmente não parecia existir. ‘Atão que é que se passa com EF? Não falta ali qualquer coisa?’

 

MysticCosmos – Relativamente a isso, acho que depende do gosto de cada um. Houve pessoas que gostaram mais assim, apesar de toda a gente se ter queixado que a guitarra não se ouvia. Nem eu conseguia ouvir a guitarra em palco, que fará o público! (O som estava a sair directamente do palco) A falta de outra guitarra e de outro baixo prejudicou-me muito o som mas, pelo que vi, toda a gente gostou. Se o som tivesse estado melhor, as coisas talvez se tivessem tornado mais interessantes, mais brutais.

 

BTTG – E as boas experiências?...

 

MysticCosmos – As boas experiências foram… o Caos Emergente, por exemplo, e muito devido ao espantoso público, do mais brutal que tivemos até hoje.

 

Menthor – O Gaia Metalfest – em que, apesar de não termos tido grande público, conseguimos um som razoável, porque levámos o nosso próprio técnico de som. Também foi um concerto só com uma guitarra e sem baixo, mas correu tudo bem. Outra boa experiência foi o segundo lugar que tirámos no concurso «Metal Force», em Santo Tirso, e no qual participaram cerca de 40 bandas – o que só mostra como somos bons. [risos]

 

MysticCosmos – Esse concerto também me marcou muito, porque, no fundo, considero que calámos muitas más-línguas e bocas com esse segundo lugar – em relação às pessoas que punham em causa o tipo de pessoas que éramos, as atitudes que tínhamos e o tipo de som que praticávamos. A partir daí, as reacções começaram a mudar. Quanto à actuação do Caos Emergente, várias pessoas começaram a ‘lidar’ connosco e viram que as coisas não eram assim tão más como as pintavam e estão longe de ser a distorcida versão que por aí se conta. Por outro lado, o CE foi como que uma rampa de lançamento da banda: tínhamos um público completamente diferente, estávamos a jogar fora de casa e prova das reacções positivas à banda têm sido as boas críticas à nossa promo.

 

 

BTTG – Esta entrevista surge no âmbito do lançamento não-oficial do vosso CD promocional Live Promo CD-R 12th April 2003. O que justificou o lançamento deste registo e por quê só agora a possibilidade de ter algo mais palpável da banda?

MysticCosmoS - Essa gravação foi retirada de uma câmara de vídeo, apenas modifiquei algumas equalizações no meu computador. De início seria apenas uma gravação para uso interno da banda e, como não possuíamos qualquer tipo de registo sonoro, resolvemos disponibilizar 2 temas no nosso Website. Mais tarde, recebemos alguns e-mails a falar muito bem dessa gravação, e a pedir a gravação (www.eppingforest.web.pt). A crescente procura do trabalho por parte dos ouvintes encorajou-nos a lançar essa gravação em versão Promo CD-R. Apesar de não a considerarmos uma edição oficial, essa gravação tem tido uma grande procura por parte das pessoas que têm seguido o percurso de Epping Forest e que nos têm contactado a pedir a referida gravação. As críticas por parte dos media também têm sido excelentes e gostei de ver que algumas dessas entidades relacionadas com a imprensa nacional nos têm visto como uma esperança nacional nesta sonoridade mais extrema. O porquê de só agora existir algo palpável é mesmo porque o pediram, pois apenas estávamos a pensar registar alguns temas quando tivéssemos a técnica pretendida e a sonoridade realmente equilibrada em Epping Forest, já para não referir a falta de fundos para a gravação, os inúmeros problemas que surgiram no passado e fizeram Epping Forest abrandar a caminhada e também a procura do estúdio minimamente decente e que achávamos ter a capacidade de mostrar todo o potencial da banda em registo áudio.

Menthor - Este Promo CD-R está a ser vendido a um preço simbólico (para mais informações acerca da venda e preços www.eppingforest.web.pt) e é limitado a 300 cópias, pois achamos que apenas as pessoas que realmente têm apoiado Epping Forest gostariam de adquirir esse registo enquanto não lançamos nada de estúdio.

BTTG – Retomando esta ideia, têm vindo a ser organizados cada vez mais festivais em Portugal. Que comentário(s) vos merece a organização de festivais em Portugal?

 

MysticCosmos – Ultimamente tem havido muita actividade nessa área, mas, por outro lado, também temos que ver que as bandas estão praticamente a ‘prostituir-se’: vão tocar a todos os lados de graça. Vamos ver um festival ao Sul, ao Centro ou a Norte e reparamos que as bandas são quase sempre as mesmas – bandas que têm possibilidades para se mobilizarem de um lado para o outro e que são capazes de tocar por meia dúzia de cervejas. Infelizmente, nós não podemos viver assim.

 

Menthor – Muitas vezes, as pessoas que organizam festivais estão à espera que as bandas lá vão tocar sem terem que lhes pagar, mesmo as despesas – e, se uma pessoa recusa, ainda são capazes de ir falar mal da banda ou dizer que os gajos são do piorio porque estavam a pedir dinheiro para vir tocar, e por aí adiante. O que passa é que essas pessoas não imaginam o dinheiro que se gasta para manter uma banda – tanto em material e manutenção como em despesas essenciais: casas de ensaios, deslocações para concertos, enfim... todos esses aspectos fundamentais.

 

MysticCosmos – As pessoas não fazem contas a isso e pensam que cervejas vão substituir o dinheiro que perdemos no transporte e que, depois, nos vai fazer falta, por exemplo, para as necessidades básicas do dia-a-dia. Mesmo que a maior parte viva à custa dos pais, o dinheiro falta sempre.

 

BTTG – E não é só isso: o lucro de um festival, quando o há, vai todo para a organização, e isso não está muito correcto, até porque eles estão a ter lucros com o trabalho das bandas sem, no entanto, as recompensarem minimamente.

 

MysticCosmos – Sim, e ninguém pode dizer que não é possível dar um mínimo às bandas – porque podem. Tivemos o exemplo da final do 4Play, em que estávamos 3 bandas a tocar, a casa pôs uma entrada a 5 euros e conseguiu dar 150 euros a cada banda e ainda conseguiu tirar uma grande percentagem das entradas, fora as bebidas, que foram todas para a casa. E a casa tinha capacidade máxima para 150 pessoas, por isso não me venham dizer que não é possível pagar um mínimo às bandas. E chegou-me recentemente aos ouvidos que EF estava a ser alvo de más-línguas devido à nossa recusa em dar um concerto no Centro, dadas as fracas condições oferecidas. Não podíamos aceitar esses convites porque, nessa altura, não estávamos em condições de pagar as deslocações e o que nos ofereciam eram apenas… cervejas, cervejas, cervejas. Epá, cervejas não pagam portagens! As carrinhas não andam a cerveja! É que, ainda por cima, nós nunca iríamos consumir isso tudo em bebidas, até porque nenhum de nós bebe exageradamente, havendo quem não beba álcool sequer, por opção, ou porque depois tem que conduzir!

 

BTTG – Temática e conceptualmente, a banda reflecte alguns ideais no nome. Por quê a floresta de Epping?

 

MysticCosmos – A floresta de Epping é uma floresta no Reino Unido onde se realizam reuniões relacionadas com o Oculto, independentemente de filosofias, religiões ou áreas de estudo. Essas reuniões nunca chegavam a ser divulgadas, porque tinham um carácter hermético e consistiam numa discussão saudável de vários assuntos, sempre relacionados com as temáticas atrás mencionadas. E Epping Forest é a expressão de pessoas com diferentes proveniências e estilos de vida…

 

BBTG – É a expressão do oculto na música…

 

Menthor – Por Oculto entenda-se também tudo aquilo que permanece além do horizonte de Conhecimento do reles humano. As nossas reuniões realizam-se por meio da música.

 

BTTG – O que equivale a dizer que as vossas reuniões são os ensaios e os concertos.

 

MysticCosmos – A bem dizer, os concertos são uma exteriorização de todas as ideias-

 

Menthor – À procura de uma maior sabedoria.

 

BTTG – De que modo relacionam vocês o nome «Epping Forest» com a filosofia e o conceito da banda?

 

Menthor – É simples: nós pensamos exactamente dessa maneira – não nos deixamos influenciar por religiões ou fanatismos religiosos, tentamos aprender sempre mais e absorver o que se passa à nossa volta – e, acima de tudo, pensar por nós próprios.

 

MysticCosmos – Tentamos não transmitir a imagem típica do Black Metal, como se fôssemos padres a pregar os vícios das religiões que não a deles próprios. Estamos completamente à parte desses fanatismos.

 

BTTG – Quais são os objectivos de EPPING FOREST a curto e médio prazo?

 

Noctis Lunaris – A curto prazo, gravar o CD.

 

Menthor – A médio prazo, logo se verá. Tentaremos arranjar uma editora que faça uma boa divulgação do CD e que faça com que EPPING FOREST chegue mais longe; tentaremos evoluir tecnicamente, dar concertos com força e divulgar ao máximo a nossa música.

 

BTTG – Para quando um registo oficial e que actividades pensam promover no sentido da divulgação?

 

Menthor – Para já, estamos a juntar dinheiro, porque nós somos uns «arrebentados» [risos] e temos que o juntar para conseguirmos gravar num estúdio com um mínimo de qualidade, de onde possa sair um bom trabalho, com o som caracteristicamente 'Epping Forest'.

 

BTTG – Já sabemos que as influências da banda variam muito, mas concretizem-nas em alguns exemplos práticos (música, literatura, etc.).

 

Menthor – As influências da banda?... EPPING FOREST tem o seu som próprio, cada membro da banda tem diferentes influências mas, quando nos juntamos, o som que sai é este – resultado dos gostos de todos.

 

MysticCosmos – A nível de música, pessoalmente gosto do BM mais cru – e não me refiro ao ‘raw BM’, mas sim a um som com qualidade, mais cru. Se há coisa a que presto atenção é à qualidade da gravação do som, e incomoda-me aquele som arranhado dos clássicos ‘raw’, é demasiada confusão para chegar a perceber a melodia ou a brutalidade que os músicos estão a tocar. Desde que o som esteja bem nítido, os gostos passam pelo Death, Black e Grind.

 

Menthor – Eu oiço muito Brutal Death; gosto bastante de BM, principalmente mais agressivo – não gosto particularmente daquele BM mais melodioso, mais calminho, mais atmosférico. Também oiço muito Thrash Metal, algumas bandas de metal mais progressivo, como por exemplo SYMPHONY X. Em termos de Brutal Death, ultimamente tenho ouvido muito ABORTED; em termos de Black tenho ouvido mais DARK FUNERAL (Diabolus Interium).

 

MysticCosmos – Se for para ir por influências, mais vale dizer logo o que estamos a ouvir neste momento – por exemplo: DEITY OF CARNIFICATION, MYSTIC CIRCLE, NILE, IMMORTAL, MORBIUS, sei lá, montes de bandas.

 

Noctis Lunaris – Já eu oiço mais outro tipo de som. Oiço mais Black Metal melódico e bastante Doom. É provavelmente aí que se vai buscar a melodia para EPPING FOREST

 

BTTG – Em que país/ região mais gostariam de passar as vossas noites? Portugal preenche os vossos horizontes, ou nem por isso?

 

MysticCosmos – Para mim tem que preencher – eu sou um teso do caralho, nunca saí de Portugal! [risos] Ah não, costumo ir a Espanha, várias vezes por semana, mas é em trabalho, foda-se. Mas em Portugal há bastantes coisas – gosto da zona costeira, à beira-mar, gosto das quedas d’água de Felgueiras.[risos]

 

Menthor – Há muitos sítios que eu gostava de conhecer, de viajar um pouco por todo o lado, mas gosto do sítio onde vivo e não o trocava por outro.

 

Noctis Lunaris – Também não conheço muito mais para lá de Portugal e, mesmo assim, conheço pouco de Portugal. De qualquer modo, gostaria de conhecer alguns países e sítios mais…míticos: Egipto, Noruega, entre outros.

 

Menthor, Mystic and Noctis – E gostaríamos de visitar a floresta de Epping, claro! [risos]

 

BTTG – Já agora, que estamos a falar de Portugal, qual é a vossa opinião relativamente à cena metálica portuguesa?

 

Menthor – Ultimamente têm aparecido boas bandas – nota-se uma evolução na qualidade geral das bandas. Houve uma altura em que isto esteve um bocado parado e concertos eram muito poucos. Têm-se organizado alguns festivais, uns melhores que outros, mas nota-se que há pessoal que tem vontade de fazer as coisas, só que ainda têm que aprender muito. De resto, não há mais nada, as bandas têm que ficar por aí. Têm que tocar na sala de ensaio e ir a esses festivais – que normalmente não têm grandes condições –, pagar tudo e fica-se por aí: não há editoras e os meios de divulgação que conseguem chegar a mais público não tentam ajudar as bandas mais underground. Cada vez mais se nota que esses meios se dedicam mais a bandas de topo, que estão na moda. Não me oponho a isso, mas acho que não se deveriam esquecer das outras bandas, porque tudo começa por baixo. Bandas comerciais perdem vezes por serem bandas comerciais – perdem qualidade, honestidade – e é isto que é possível encontrar em bandas mais pequenas, que não andam nisto da música pelo dinheiro, mas sim pelo gosto.

 

MysticCosmos – Se calhar é por isso que se nota que o UG nacional está muito fraco: em primeiro lugar, há esse problema das editoras; em segundo lugar, há um problema enorme: as grandes dificuldades das bandas, o que impossibilita uma banda de, por exemplo, dar mais concertos do que aqueles que efectivamente pode. e falo por nós: podíamos dar mais concertos se as pessoas pensassem um pouco mais nos gastos. As bandas que têm mais ‘nome’ em Portugal são, normalmente, aquelas que têm mais possibilidades para se deslocarem de Norte a Sul. Nós somos uns tesos. [risos] Relativamente ao conceito «UnderGround» em Portugal, este está muito fraco, porque as pessoas já não ligam ao conceito como ligavam antigamente, quando ainda havia, por exemplo, o «Don’t Stop le Metal» em Felgueiras – nunca vi uma casa cheia como havia aqui, em todos os concertos; nunca vi tamanha divulgação e ainda estou para ver bandas como as que havia na altura e entretanto acabaram por desistir, ou porque não havia concertos, ou por outra razão qualquer.

 

 

BTTG – Que imagem projectam do panorama estritamente Black Metal?

 

MysticCosmos – Acho que, a nível de BM, está muito bom, pelo menos conheço muito boas bandas de BM. Apesar de tudo, gosto de CORPUS CHRISTII e do The Fire God, que considero um álbum excelente –

 

Menthor – Concordo. Tanto o The Fire God como o Saeculum Domini me agradaram bastante – só tenho pena de o baterista não ser de carne e osso. Em Portugal, há poucos bateristas com nível para fazerem aquele tipo de som, e provavelmente foi por isso que tiveram que se limitar à caixa de ritmos. E acho que é a única coisa que se pode apontar àquele CD, mas lá esta, eu sou uma pessoa suspeita: sou baterista, é normal que não goste muito de caixas de ritmo.

 

MysticCosmos – Também temos os CELTIC DANCE. Ouvi uma gravação recente, de 2003, e gostei do que ouvi. Por acaso, a produção já estava bem melhor e comecei a gostar mais da banda.

 

Menthor – Quanto a mim: NEOPLASMAH. Em termos de BM, há aí uma banda muito promissora: os STOCK MORTO [agora INFERNAL KINGDOM], que ainda há-de chegar longe.

 

MysticCosmos – Uma outra banda que ainda vai dar que falar são os VIINGRID – pelo menos, gostei muito da gravação deles.

 

Noctis Lunaris – Ia falar de uma banda que já “desapareceu”: os SIRIUS, que tão depressa apareceu como desapareceu, mas marcou-me muito.

 

BTTG – Era uma verdadeira estrela cadente [risos].   

             Sei que alguns membros têm outras bandas, por isso não deixem de as referir!

 

Menthor – Neste momento, toco também em MORBIUS, banda de Death Metal técnico; WAR BLASPHEMY, um projecto raw BM que mantenho com o nosso guitarrista Abraxis; em princípio poderei vir a tocar em DEITY OF CARNIFICATION e tenho também um projecto a longo prazo com o vocalista (Azrael), que se chama SLAUGHTER SOARS HIGH ABOVE e anda dentro de DM, mas assume contornos ligeiramente diferentes do que se ouve por aí.

Quanto ao Azrael, ele também é baixista em MORBIUS, é o vocalista em SSHA. O Abraxis é o guitarrista/ vocalista/ baixista de WAR BLASPHEMY.

 

MysticCosmos – É tudo em família! Sim, porque MORBIUS também é da família – é quase como duas bandas fundidas numa só.

 

BTTG – Dado EF tocar um BM mais melódico – 

 

MysticCosmos – Melódico?!

 

BTTG – Estava à espera dessa reacção [risos]!

 

MysticCosmos – Epá, EPPING FOREST tem partes que são mesmo altas chapadas na cara das pessoas – só algumas passagens é que são mais melódicas!

 

Menthor – EPPING FOREST é muita agressividade, velocidade, brutalidade! Talvez tenha lá um bocadinho de melodia no meio para não se tornar demasiado cansativo. Mas quem trata disso é a Noctis Lunaris.

 

MysticCosmos – EPPING FOREST é um som devastador mesmo. Tem partes cruas, partes gélidas, tem ritmos ultrabrutais e uma rapidez extrema, mas os teclados são uma parte permanente, como uma segunda guitarra. Podem não estar sempre a fazer um som gélido ou seco, mas são capazes de mandar para lá umas melodias que mesmo os adeptos de som mais extremo apreciem.

 

Menthor – O teclado também consegue transmitir alguma obscuridade, que também faz parte do som de EF.

 

Noctis Lunaris – Acho que a pouca melodia que tem equilibra um pouco a agressividade e dá outro sentido à música.

 

BTTG – E em que pé é que vocês estão relativamente à ‘rivalidade’ raw/ melodic BM?

 

MysticCosmos – Existe rivalidade nisso?! Para nós, pelo menos, não existe.

 

Menthor – Comigo passa-se o mesmo: e eu toco em bandas de diferentes estilos - em EPPING FOREST, numa banda de Death técnico (MORBIUS), numa de raw BM – quero é tocar, mas sempre com uma certa brutalidade.

 

MysticCosmos – É sempre a devastação sonora, sempre a dar-lhe fruta!

 

Noctis Lunaris – Como sou eu quem trata mais da melodia, se calhar noto mais essa diferença: pessoas que gostam daquele BM mais cru são capazes de não simpatizarem muito com teclados, mas até tenho ouvido boas críticas dessas mesmas pessoas, por isso…

 

BTTG – E agora vocês decidem organizar o festival/ concerto da vossa vida. Que bandas elegeriam para o cartaz e por quê?

 

MysticCosmos – Éramos capazes de convidar pessoas ‘amigas’ à banda: os portugueses BLEEDING DISPLAY, que sempre se mostraram excelentes relativamente a EPPING FOREST; a nível internacional, apesar de a escolha ser um bocado difícil, diria mesmo os extintos IMMORTAL.

 

Menthor – Em termos de bandas portuguesas, diria BLEEDING DISPLAY, NEOPLASMAH, GROG, STOCK MORTO. Em termos de bandas internacionais: NECROPHAGIST, DARK FUNERAL, CANNIBAL CORPSE, os extintos CENTVRIAN, DIMMU BORGIR, …

 

Noctis Lunaris – As bandas portuguesas já eles disseram. A nível internacional, diria DIMMU BORGIR, ANOREXIA NERVOSA, FUNERIS NOCTURNUM, NOKTURNAL MORTUM e os extintos EMPEROR.

 

MysticCosmos – O problema é que as bandas que eu queria estão todas extintas!

 

BTTG – Há alguma infra-estrutura em Portugal que reúna as condições ideais para um evento dessa envergadura?

 

Menthor – O Hard Club, e é só.

 

MysticCosmos – Nós estamos mais a falar em relação ao Norte, até porque não conhecemos muito as salas para o Sul. Hail to the North.

 

Menthor – Logo que haja um bom PA e um bom sítio, em termos acústicos, para se poder organizar um bom festival, penso que isso seja o suficiente.

 

MysticCosmos – Tivemos provas que o Ermal teve bons resultados com bandas de Black Metal (DIMMU BORGIR) – acho até que tiveram mais público do que nas sessões anteriores. Haviam de dedicar um dia às sonoridades mais extremas, Death, Black, Grind, e por aí.

 

BTTG –O ‘verde’ da ‘Floresta de Epping’ também passa pela ecologia? Em que estado preferem a Natureza?

 

Menthor – Temos uma certa preocupação em termos ecológicos –

 

MysticCosmos – Não nos cagamos ao ar livre sem meter o catalizador! [risos]

 

Menthor – Há sempre reles humanos que tentam acabar com o nosso planeta.

 

MysticCosmos – Preferimos a natureza no seu estado natural, sem alterações. Ponto final.

 

BTTG – Sem alterações, não há evolução…

              Uma pergunta muito directa: «UnderGround» ou «Mainstream»?

 

MysticCosmos - «Underground», porque acho que o «Mainstream» não existe em Portugal, e já o UG é muito fraquinho.

 

Menthor – Quanto a mim, eu gosto muito do UG, mas acho que não há nenhuma banda que comece a tocar sem ter como objectivo principal chegar ao «Mainstream», e quem disse o contrário (salvo raras excepções) está a mentir. E quem gosta de música não se importava de tocar e de viver da música. Claro que uma coisa é tocar aquilo de que se gosta e conseguir viver disso, outra coisa é tocar aquilo que outros gostam e viver disso. Eu acho que não conseguia mesmo tocar uma coisa de que não gostasse.

 

Noctis Lunaris – A prioridade é tocarmos aquilo de que gostamos. Se conseguirmos ganhar com isso, tanto melhor.

 

BTTG – Por agora é tudo. Deixem uma mensagem final aos leitores da Back to the Grave.

 

MysticCosmos – Eu não posso desejar boa sorte para a Back to the Grave, que eu faço parte disso, caralho! Espero que a nossa descrição tenha sido esclarecedora, apesar de um bocado extensa. Temos que tentar descrever ao máximo um som que muita gente ainda não ouviu. Obrigado pela entrevista.

 

Menthor – EPPING FOREST está a fazer um peditório. Há uma campanha aberta com o tema: “Ajudem EPPING FOREST a ficarem ricos” – podem deixar o vosso donativo na conta 666.666.666.666.666. [risos] Ah, e têm direito a um autocolante de EPPING FOREST.

BTTG – É tudo?...

 

MysticCosmos – … e a um boião de caramelos.

 

Menthor – … e a uma saca de pêssegos! [risos]

 

Noctis Lunaris – E aconselho os leitores da Back to the Grave a visitarem o nosso website, actualizado regularmente.

 

Menthor – E têm lá fotografias de gajos bons – o baterista. [risos]

 

CONTACTOS:

WEBSITE: www.eppingforest.web.pt

 

By Morgana - Back To The Grave November 8, 2003

Photos – Epping Forest,Arlete and Morgana 2003

 

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