|
TRINNITY As TRINNITY são uma banda de Gothic Metal
brasileira composta apenas por elementos femininos e que lançaram o seu demo
CD The Reflex of Emptiness. Nós fomos saber mais do passado, presente e
futuro da banda. BTTG - Como nasceu a ideia de montar a banda? Thaïs - A ideia surgiu de mim e da ex-vocalista. Eu já estava há algum
tempo com um projecto em mente, então no início de 2002, numa conversa com
essa menina, vimos que tínhamos ideias parecidas. Assim, planeamos tudo e
fomos fazendo tudo devagar, pois não foi muito fácil achar pessoas que
pensassem de forma parecida, mas acho que agora (quase 2 anos depois) estamos
com a melhor formação de todas. A ideia, de uma forma geral, foi a vontade de
concretizar um projecto, foi a vontade de fazer música com outras pessoas que
tivessem os mesmos ideais! BTTG - Para pura brincadeira ou a aposta era levar o mais longe possível? Cynthia - Não pretendemos largar tudo em nossas vidas para nos dedicar somente
à música. Porém, se algum dia a banda der certo a ponto de termos que decidir
entre ela e a nossa futura carreira profissional, certamente escolheremos a
banda! BTTG - Nunca vos ocorreu a ideia de baixarem os braços e desistir? Virgínia - Como todas as bandas, já passamos por situações (fases)
difíceis, mas acredito que não chegaríamos a tal ponto, pois temos muita
convicção, não desistiríamos facilmente e somos apaixonadas pelo que fazemos.
A banda precisava de mais união, harmonia e agora encontramos a formação
ideal para levar o nosso trabalho adiante. BTTG - "TRINNITY" tem algum significado especial? Thaïs - Primeiramente queríamos um nome simples e fácil e que tivesse
um simbolismo, então surgiu o nome TRINNITY, que sofreu uma alteração pela
numerologia, pois escrito com dois "n's" passa a significar o
número três. "Trinnity" significa Trindade, a manifestação da
forma; poderíamos dizer de tudo. É passado, presente e futuro. O número três
significa criatividade, sucesso e optimismo, tudo o que uma banda necessita!
Esperamos que este nome nos traga muita sorte, boas músicas e talento!!! BTTG - Qual é a formação actual? Melissa - A formação actual da banda TRINNITY é: Na bateria, Cynthia
Tsai Yuen, no baixo Thaïs Dias, Maria Fernanda Cals e Virgínia Nuñez nas
guitarras e, no vocal, Melissa Bôa Morte. BTTG - Ocorreram várias mudanças no vosso line-up. A que se deveu? Cynthia - O nome "Trinnity", além de todos os significados,
na numerologia significa mudanças. Acho que isso influenciou um pouco.
Independentemente de as pessoas acreditarem ou não, considero isso um detalhe
importante a ser citado. Tivemos várias deixando alguns desentendimentos, mas nada além do normal quando se sai
um integrante de alguma banda. A ex-vocalista é que nos está dando um pouco
de trabalho, mas não acho conveniente ficar comentando sobre a situação,
ainda mais porque provavelmente ela lerá essa entrevista "com unhas e
dentes", e qualquer comentário mal interpretado pode virar mais uma
perturbação. BTTG - O demo CD The Reflex of Emptiness começou a ser gravado em
Fevereiro de 2003. Por que só saiu 7 meses depois? Thaïs - Foram vários os motivos, o principal dos quais acho que foi
pela questão financeira, pois nós é que pagamos tudo e queríamos fazer algo com
a melhor qualidade possível, a para que fosse assim, fizemos tudo devagar.
Gravámos a bateria num estúdio e o resto noutro, muitos arranjos também foram
sendo feitos no decorrer da gravação e além do facto de que queríamos que
ficasse o melhor possível para um Cd-Demo (então investimos na produção e na
parte gráfica). Também tivemos problemas normais de gravação - a voz, por
exemplo, foi gravada 2 vezes, para que ficasse o melhor possível; o baixo
também teve uns problemas de timbragem, sendo gravado umas três vezes. E,
depois da gravação, que terminou em Junho de 2003, ainda tivemos que nos
preocupar com o encarte do CD, o que fez com que ele só fosse lançado em
Setembro. BTTG - Tiveram algum apoio financeiro para gravar, ou foi um trabalho
auto-financiado? Cynthia - Não tivemos nenhum apoio financeiro, mas tivemos várias
ajudas em questão de gravação, impressão gráfica, montagem do site,
divulgação... até mesmo um pouco de ajuda musical. Aproveitamos esta
entrevista para agradecer a todos os nossos amigos que, de uma forma ou de
outra, nos apoiaram e nos apoiam nesta jornada. BTTG - Falem um pouco do conceito musical e lírico do demo CD. Thaïs - O The Reflex of Emptiness foi o primeiro trabalho das TRINNITY,
queríamos passar aquilo que pensamos e sentimos em forma de música. Tudo foi
muito bem pensado, desde o nome do CD até às letras. Queríamos passar a ideia
do vazio interior, da eterna busca por algo que possa nos completar e até de
nos fazer felizes. A ideia principal é a de que todos nós nascemos "vazios" e
tudo aquilo que fazemos no decorrer de nossas vidas é para simplesmente
preenchê-lo; se estudamos, buscamos cultura, temos algum tipo de religião, se
amamos, tudo é para nos completar. A capa do CD é uma pintura de J. W.
Waterhouse e chama-se "Mariana in the South": é uma menina
parecendo estar angustiada, olhando-se no espelho. Para nós, essa imagem
passa a ideia de alguém que está não somente olhando para a sua imagem
externa, mas de alguém que está olhando para dentro de si, mas o que ela vê
ou o que sente é apenas o "vazio". O nome que eu escolhi poderia
ter até um significado pejorativo "O Reflexo do Vazio", porém eu
penso que o nome acrescentado da pintura passa justamente essa ideia do
reflexo interior, da auto-crítica. O Vazio é algo muito vago, mas o que
queremos dizer é o que o Vazio não pode ser destruído, mas ele pode ser
preenchido no decorrer de nossas vidas. BTTG - De onde vem a vossa inspiração para as letras? Melissa - Normalmente, quando vou fazer as minhas letras, tenho que
estar com a emoção à flor da pele. A música I´m dying by little, por exemplo,
escrevi num momento de tristeza. Não posso escolher a hora certa. Tenho que
estar "inspirada" e extremamente emotiva para que isso possa
acontecer. Acho que é por isso que transmitimos tanta emoção em nossas
músicas. BTTG - Como funciona o modo de composição da banda? Cynthia - Normalmente, nós compomos individualmente, ou em dupla. É um
pouco difícil juntar nós cinco para compor uma mesma música, pelo facto de
que, além de serem muitas ideias sendo "jogadas" sem uma
"liderança", cada uma de nós tem um jeito pessoal de compor.
Maria Fernanda - TRINNITY é uma banda especialmente peculiar, porque
todas nós compomos e escrevemos letras. Todas as contribuições são aceites de
maneira extremamente democrática. Isto quer dizer que, como todas nós temos influências muito diversas, o som consequentemente torna-se bem rico. Todas
nós adoramos LACUNA COIL, PARADISE LOST, ANATHEMA e MY DYING BRIDE. No
entanto, ainda há outros nomes bem distintos, alguns até mesmo à parte da cena metal, como, por exemplo, a música clássica. BTTG - Qual tem sido a aceitação do público em relação ao vosso trabalho? Virgínia - Desde o início a aceitação foi muito boa; devo confessar que
fiquei muito surpresa! A maioria do público não era de Gothic Metal, por isso
o nosso som era algo novo e diferente para eles. No entanto, curtiram,
aplaudiram-nos, apoiaram e foi muito gratificante. BTTG - Qual o passo seguinte que vocês querem dar? Maria Fernanda - Temos a intenção de gravar um novo CD ainda este ano.
Há algumas músicas já terminadas e outras ainda em fase de composição.
Pretendemos gravá-las num Mini-CD ou, quem sabe, um full lenght. Paralelamente a isto, estamos a procura por uma gravadora. BTTG - Foi fácil chegar ao pé da família e dizer que iam montar uma
banda? Thaïs - Sim, foi fácil, pois todas nós já havíamos tido bandaS anteriormente.
Os nossos pais sempre nos apoiaram (apesar de nem todos gostarem do tipo de
música que tocamos), mas eles fazem tudo o que podem para nos ajudar, e até
vão nos shows, aguentando todo o barulho só para nos apoiar, e isso é
fundamental para todas nós. BTTG - O facto de a banda ser só composta por raparigas tem-vos
favorecido ou prejudicado? Melissa - O facto de a banda ser formada somente por meninas é , com
certeza, uma característica positiva, que acaba favorecendo. Além de chamar
mais atenção, há também uma grande expectativa e curiosidade vinda do
público. Principalmente porque nesse estilo musical, é algo não muito comum e
bastante inusitado. Porém, por outro lado há o preconceito, acho que algumas
pessoas ainda se deixam levar por esse tipo de coisa. Mas isso acaba se
tornando um "impulso" para nós, para que possamos evoluir cada vez
mais e provar que as mulheres podem fazer um som pesado tão bom quanto os
homens, e muitas vezes até melhor!
Virgínia - Inicialmente, a TRINNITY decidiu voltar-se para as
composições, ensaios e a gravação do CD Demo para assim começar a fazer shows
(o que explica o pequeno número de apresentações). Apesar de ainda não ter
muito apoio, o cenário underground está mais amplo e conta com algumas
pessoas que se esforçam para organizar bons eventos. Nós já fizemos o nosso
3º show e agora estamos nos dedicando à divulgação do nosso CD Demo através
das apresentações ao vivo. BTTG - Querem deixar alguma mensagem na E-Magazine Back to the Grave? Maria Fernanda - Estamos muito felizes por termos tido a oportunidade
de responder a entrevista - somos gratas. Esperamos que o nosso som agrade a
muitas pessoas por aí. Pretendemos ainda lançar muitos materiais, e, tudo
correndo bem, eles estarão por aí também. E deixamos aqui a nossa Homepage para aqueles que queiram conhecer um
pouco melhor a banda: www.trinnity.cjb.net. Hugo "O Terrível" By Hugo “O Terrível” (e-mailed) - Back To The Grave April, 2004 Photos –Trinnity 2004 |