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Introdução |
One man shall have one vote.
(John Cartwright, 1780)
Existia a opinião, quase generalizada, que esses sistemas iriam encorajar os eleitores mais novos nos processos eleitorais, que passavam por grandes índices de abstenção e iriam fazer acelerar, com toda a tecnologia, os métodos de contagem obsoletos e muito lentos, que existem nos métodos manuais.
Nestes dias, já não é tão frequente observar esse tipo de reacção tão positivista e despreocupada. Surgem associados ao tema vários tipos de preocupações e avisos. Por todo o lado se podem observar opiniões e críticas contrárias a substituição dos sistemas eleitorais tradicionais, quase sempre com a argumentação de que as suas características são difíceis de imitar com segurança pelos computadores. Estas críticas conduzem a um obstáculo ainda maior, o cepticismo existente sobre métodos onde não existem meios de controlo que um utilizador possa observar directamente.
Diz-se também que ainda é muito cedo para usar sistemas de eleição, em que as pessoas possam exercer o seu direito de voto, a partir de suas casas, ou outros locais não oficias, em larga escala.
Contudo, são estes sistemas, que já se encontram presentes em inúmeras paginas disseminadas pela Internet, empresas e até governos, trazendo uma quantidade considerável de benéficos que irão inevitavelmente substituir os métodos tradicionais.
Países como o Brasil ou os EUA começam já a usar sistemas eleitorais com o auxilio de máquinas, ligadas ou não em rede, onde a contagem é totalmente digital. Outros sistemas, começam a surgir aplicados nas mais diversas situações, com votações a tomar lugar pela Internet. Podemos destacar também o projecto Debian, que usa sistemas de votação por email, ou o projecto GNU, entre muitos outros.
Será visto neste trabalho, que em circunstâncias bem controladas e definidas, pode ser usado um sistema de eleições digitais em substituição dos métodos tradicionais, que, além de cumprir com todas as características destes, ainda acrescenta muitas mais. Vamos apresentar sistemas que permitem manter a anonimicidade do eleitor, sem ser possível a interferência nos resultados de ninguém. Podemos até acrescentar a verificabilidade sobre os votos recebidos, com a possibilidade de um eleitor se certificar que o seu voto foi bem contabilizado.
Os processos eleitorais digitais têm o seu ponto fulcral na segurança e é aqui que surgem os maiores desenvolvimentos nesta área. Na utilização e no estudo destes métodos, verifica-se que se os protocolos não forem suficientemente seguros são vulneráveis a erros e más utilizações, resultando em falhas a larga escala e a fraudes eleitorais que comprometeriam todo o sistema. Estas formas de erros e fraudes, excepto naqueles casos mais graves, são quase sempre insusceptíveis para o utilizador e de resolução bem difícil, se os métodos não forem sujeitos a análise exaustiva. Quem iria confiar num sistema que não oferece garantias de exactidão no seu resultado?
Apesar de ser quase impossível provar que uma determinada votação é totalmente segura, podemos estudar com profundidade as situações possíveis de encontrar e garantir que todos os requisitos exigidos vão ser cumpridos e, no pior caso, podemos relatar que algo errado aconteceu.
Primeiro serão descritos os objectivos e requisitos de um sistema de Votação electrónico. Seguidamente, apresentam-se conceitos relacionados com a manutenção da segurança nos protocolos eleitorais, do campo da criptografia e são expostos os vários sistemas de votação existentes, tanto a nível de protocolos, como de implementações práticas.
No final, propõe-se um protocolo de votação, baseado nas "Blind Signatures" e a sua implementação na linguagem de programação Python.
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